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Santo Afonso ,modelo das virtudes fundamentais @DivulgacoesCatolicas_bot

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Santo Afonso Maria de Ligorio

FIM DO HOMEM

Deum time, et mandata eius observa: hoc est enim omnis homo — “Teme a Deus e observa os seus mandamentos; porque isto é o tudo do homem” (Eccles. 12, 13).

Sumário. Não temos nascido, nem devemos viver para gozarmos, para nos fazermos ricos e potentes, senão unicamente para amarmos a Deus e nos salvarmos para sempre. Todavia, este grande fim da nossa existência é o mais descuidado pelos homens, que em tudo pensam exceto na salvação da alma. Nós ao menos não sejamos tão insensatos e consideremos seriamente que tudo que se faz, se diz ou se pensa contra a vontade de Deus, é perdido e perdido para sempre.

Leia essa Meditação completa de Sto Afonso aqui: https://catolicosribeiraopreto.com/fim-do-homem/

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Santo Afonso Maria de Ligorio

OS TRÊS REIS MAGOS AOS PÉS DE JESUS

https://catolicosribeiraopreto.com/os-tres-reis-magos-aos-pes-de-jesus/

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Santo Afonso Maria de Ligorio

Meditações de Santo Afonso de Ligório:
Dia V de Janeiro

O sono de Jesus Menino

Ego dormio, et cor meum vigilat
“Eu durmo, e o meu coração vela” (Ct. 5, 2).

Sumário.
O sono do Menino Jesus era muito diferente do das outras crianças. Enquanto dormia, seu Corpo, a Alma, unida à Pessoa do Verbo, velava. Desde então pensava nas penas que devia depois sofrer por nosso amor. Roguemos ao Santo Menino, pelo merecimento daquele bendito sono, que nos livre do sono mortal dos pecadores e, em vez disso, nos conceda o sono dos justos, pelo qual a alma perde a lembrança de todas as coisas terrestres.

I. O sono de Jesus-Menino foi demasiadamente breve e doloroso. Servia-Lhe de berço uma manjedoura, a palha de colchão e de travesseiro. Assim o sono de Jesus foi muitas vezes interrompido pela dureza daquela caminha excessivamente dura e molesta, e pelo rigor do frio que reinava na gruta. De vez em quando, porém, a natureza sucumbia à necessidade e o Menino querido adormecia. — Mas o sono de Jesus foi muito diferente do das outras crianças. O sono destas é útil à conservação da vida; não, porém, quanto às operações da alma, porque esta, privada do uso dos sentidos, fica reduzida à inatividade. Não foi assim o sono de Jesus Cristo: Ego dormio et cor meum vigilat. O Corpo repousava; velava, porém, a alma, que em Jesus era unida à Pessoa do Verbo, que não podia dormir nem ficar sopitada pela inatividade dos sentidos.

Dormia, pois, o santo Menino, mas enquanto dormia, pensava em todos os padecimentos que teria de sofrer por nosso amor, no correr de toda a sua vida e na hora da sua morte. Pensava nos trabalhos pelos quais havia de passar no Egito e em Nazaré, levando uma vida extremamente pobre e desprezada. Pensava particularmente nos açoites, nos espinhos, nas injúrias, na agonia e na morte desolada, que afinal devia padecer sobre a Cruz. Tudo isso Jesus oferecia ao Pai Eterno enquanto estava dormindo, a fim de obter para nós o perdão e a salvação. Assim nosso Salvador, durante o sono, estava merecendo por nós, reconciliava conosco seu Pai e alcançava-nos graças.

Roguemos agora a Jesus que, pelos merecimentos de seu beato sono, nos livre do sono mortal dos pecadores, que dormem miseravelmente na morte do pecado, esquecidos de Deus e do seu amor. Peçamos-Lhe que nos dê, ao contrário, o sono feliz da sagrada Esposa, da qual dizia: Eu vos conjuro… que não perturbeis à minha amada o seu descanso, nem a façais despertar, até que ela mesma queira (1). É este o sono que Deus dá às almas suas diletas, e que, no dizer de São Basílio, não é senão o supremo olvido de todas as coisas summa verum omnium oblivio. Então a alma olvida todas as coisas terrestres, para só pensar em Deus e nos interesses da glória divina.

II. Ó meu querido e santo Menino, Vós estais dormindo, mas esse vosso sono como me abrasa em amor! Para nós o sono é figura da morte; mas em Vós é símbolo de vida eterna, porque, enquanto repousais, estais merecendo para mim a eterna salvação. Estais dormindo, porém o vosso coração não dorme, senão pensa em padecer e morrer por mim. Durante o vosso sono rogais por mim e me impetrais de Deus o descanso eterno do Paraíso. Mas enquanto não me levardes, como espero, para repousar junto de Vós no Céu, quero que repouseis sempre em minha alma.

Houve um tempo, ó meu Deus, em que Vos expulsei da minha alma. Vós, porém, tanto batestes à porta do meu coração, ora por meio do temor, ora com luzes especiais, ora com convites amorosos, que tenho a esperança de que já entrastes nele. Assim espero, digo, porque sinto em mim uma grande confiança de que já me perdoastes. Sinto também uma grande aversão e arrependimento das ofensas que Vos tenho feito; um arrependimento que me causa grande dor, mas uma dor pacífica, uma dor que me consola e me faz esperar que a vossa bondade já me perdoou. Graças Vos dou, ó meu Jesus, e peço-Vos que não Vos aparteis mais da minha alma. Sei que Vós não Vos apartareis enquanto eu não Vos repulsar.

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Santo Afonso Maria de Ligorio

A estalagem de Belém foi figura daqueles corações ingratos que acolhem tantas criaturas miseráveis e não a Deus.

Quantos há que amam os parentes, os amigos, até os animais, mas não amam Jesus Cristo e nenhum caso fazem da Sua Graça e do Seu Amor?

Maria Santíssima disse a uma alma devota: “Foi uma disposição divina que a mim e a meu Filho nos faltasse agasalho da parte dos homens, a fim de que as almas cativadas pelo amor de Jesus se oferecessem a si próprias para o acolherem e o convidassem amorosamente a tomar morada em seus corações.”


– Santo Afonso Maria de Ligório

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Santo Afonso Maria de Ligorio

https://youtu.be/BN2KrGWq2oA?si=iOpAMeL_qgT-RcUe

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Santo Afonso Maria de Ligorio

*PRIMEIRO DIA DA NOVENA DE NATAL: JESUS MENINO CONSENTE EM SER NOSSO REDENTOR*
> Dedi te in lucem gentium, ut sis salus mea usque ad extremum terrae — *“Eu te estabeleci para luz das gentes, afim de levares a minha salvação até à última extremidade da terra”* (Is 49,6).

Muitos cristãos costumam neste tempo armar um presépio como representação do Nascimento de Jesus Cristo; *mas bem poucos lembram de preparar, com atos de amor, o seu coração afim de que o divino Menino nele possa repousar. Do número destes também nós queremos ser.* Por isso, afim de excitar-nos, desde o primeiro dia da Novena, a pagar com nosso amor o amor de Jesus Cristo, consideremos o amor que nos mostrou, incumbindo-se, *desde o primeiro instante da sua conceição,* de satisfazer por nós à divina justiça.
Considera como o Pai Eterno disse a Jesus Menino, no instante da sua Encarnação, estas palavras: _Dedi te in lucem gentium, ut sis salus mea — *Eu te estabeleci para luz das gentes, a fim de salvá-las.*_ *Meu Filho, eu te dei ao mundo para luz e vida das nações, a fim de que lhes alcances a salvação, que eu estimo tanto como se fosse a minha própria.* Mister é, pois, que te consumas todo inteiro, para o bem dos homens — *_Totus illi datus, totus in suos usus impenderis._* Mister é que desde o nascer sofras extrema pobreza, *a fim de que o homem se faça rico.* Mister é que sejas vendido como um escravo, *para impetrares ao homem a sua liberdade;* que, como um escravo, sejas açoitado e crucificado, *a fim de pagares à minha justiça o que o homem lhe deve;* mister é que dês o teu sangue e a tua vida, *a fim de livrares o homem da morte eterna.* Em uma palavra, *sabe que não te pertences mais a ti mesmo, senão aos homens.* Assim, meu dileto Filho, o homem render-se-á ao meu amor; *será todo meu, vendo que eu lhe dei o meu Unigênito, sem reserva alguma, e que nada mais me resta para lhe dar.* *_Sic Deus dilexit mundum, ut Filium suum unigenitum daret._* Ó amor infinito, *digno unicamente de um Deus infinito!*
A semelhante proposta Jesus Menino não se entristece; antes, nela se compraz, aceita-a com amor e exulta: _Exultavit ut gigas ad currendam viam — *Deu passos como gigante para correr o caminho.*_ Desde o primeiro instante da sua Encarnação, Jesus se dá todo ao homem, e abraça com alegria todas as dores e ignomínias que na terra teria de sofrer por amor dos homens.
Pondera aqui o Pai celestial, mandando seu Filho para ser nosso Redentor e medianeiro entre Deus e os homens, *se obrigou, por assim dizer, a perdoar-nos e a amar-nos, visto que prometeu receber-nos em sua graça, contanto que o Filho satisfizesse por nós à Justiça Divina.* Por outra parte, o Verbo Divino, tendo aceitado a incumbência do Pai, que no-lo deu enviando-o para nossa redenção, *obrigou-se também a amar-nos, não em vista de nossos merecimentos, mas para obedecer à vontade misericordiosa do Pai.*
Meu amado Jesus, se é verdade, conforme reza a lei, que a doação faz adquirir o domínio, Vós sois meu, visto que vosso Pai Vos deu a mim; *por mim é que nascestes, a mim é que fostes dado.* Posso dizer, pois, com verdade: _Iesus meus et omnia — *Meu Jesus e meu tudo!*_ Já que sois meu, é meu também tudo quanto é vosso. Assim m’o garante o vosso Apóstolo: _Quomodo non etiam cum illo omnia nobis donavit? — *Como não nos deu também com ele todas as coisas?*_ É meu o vosso sangue, são, meus os vossos merecimentos, são minhas as vossas graças, é meu o vosso paraíso. Se sois meu, quem jamais poderá separar-me de Vós? Assim dizia jubiloso Santo Antão Abade. Assim também quero dizer para o futuro. *Somente por culpa minha posso perder-Vos e separar-me de Vós. Mas, ó meu Jesus, se antigamente Vos deixei e perdi, agora pesa-me de toda a minha alma e estou resolvido a antes perder a vida e tudo, do que a perder-Vos, ó Bem infinito e único Amor da minha alma.*

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Santo Afonso Maria de Ligorio

AMOR QUE O FILHO DE DEUS NOS MOSTROU NA REDENÇÃO

Dilexit nos et tradidit semetipsum pro nobis — “Cristo nos amou e se entregou a si mesmo por nós” (Eph. 5, 2).

Sumário. A salvação ou a condenação de todos os homens não aumenta nem diminui de nada a felicidade do Filho de Deus, que é a bem-aventurança mesma. Todavia Ele tem feito e padecido tanto por nós, que, se a sua beatitude fora dependente da nossa, não teria podido padecer e fazer mais. Quão grande não deve, pois, ser nosso amor para com Jesus Cristo e quão grande a nossa confiança de obtermos, pelos seus merecimentos, todas as graças que desejemos!

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SEGUNDO DOMINGO DO ADVENTO: O ENCARCERAMENTO DE JOÃO E A UTILIDADE DAS TRIBULAÇÕES

Ioannes autem cum audisset in vinculis opera Christi… – “Como João, estando no cárcere, tivesse ouvido as obras de Cristo…” (Mat. 11, 2).

Sumário. É muito grande a utilidade que nos trazem as tribulações. O Senhor no-las envia para em seguida nos enriquecer com as melhores graças. Considerai, com efeito, que São João, estando encarcerado, chega a conhecer as obras de Cristo, e recebe dele os mais elevados elogios. No tempo das tribulações, em vez de nos lastimarmos, abracemos a cruz com resignação e com ação de graças.

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Santo Afonso Maria de Ligorio

“Bem-aventurados, Senhor, os que moram na tua casa; pelos séculos dos séculos te louvarão” (Sl 83, 5).

No céu a alma verá Deus face a face, conhecerá todas as disposições admiráveis da divina Providência para sua salvação e verá que o Senhor a abraça e a abraça sempre como filha querida; pelo que a alma se embriagará de tal amor, que não pensará mais senão em amar seu Deus. Será esta a sua eterna ocupação: amar o bem infinito que possui, louvá-Lo e bendizê-Lo.

Quando nos sentirmos oprimidos pelas cruzes, levantemos os olhos ao céu, e lembremo-nos de que nos está reservada sorte igual, se ficarmos fiéis a Deus.

Santo Afonso Maria de Ligório

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Santo Afonso Maria de Ligorio

REMORSO DO CONDENADO POR CAUSA DO BEM QUE PERDEU

Perditio tua, Israel; tantummodo in me auxilium tuum — “A tua perdição, ó Israel, toda vem de ti; só em mim está o teu auxílio” (Os. 13, 9).

Sumário. O que mais atormenta o réprobo no inferno é o ver que perdeu o céu e o Bem supremo, que é Deus; e perdeu-O não por qualquer acidente ou por malevolência d´outrem, mas por sua própria culpa.Meu irmão, se no passado nós também tivemos a insensatez de renunciar por malícia própria ao paraíso, remediemo-lo enquanto houver tempo, antes que tenhamos de chorar eternamente a nossa desgraça. Talvez seja este o último apelo que Deus nos dirige.

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Santo Afonso Maria de Ligorio

Reconheço minha indignidade, mas a glória de vosso Sangue seja o fazer-Vos amar por um coração que Vos tem desprezado tanto tempo; o abrasar no fogo do amor a um pecador todo cheio de lodo do pecado. Mais do que isto é o que fizestes morrendo por mim.

Ó Senhor infinitamente bom, quisera amar-Vos tanto quanto mereceis. Comprazo-me no amor que Vos têm as almas, vossas diletas, e mais no amor que tendes a Vós mesmo; com ele uno o meu amor miserável. — Amo-Vos, ó Deus eterno, amo-Vos, ó amabilidade infinita. Fazei que eu cresça sempre mais em vosso amor, multiplicando os atos de amor e procurando agradar-Vos em todas as coisas, sem interrupção e sem reserva. Fazei com que, miserável e vil como sou, seja ao menos todo vosso. — Maria, minha Mãe, intercedei por mim. Fazei-o pela Paixão de vosso divino Filho. (*I 584)

Referências:

(1) Sl. 68, 22.
(2) Jo. 16, 24.

(LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo III: Desde a Décima Segunda Semana depois de Pentecostes até o fim do ano eclesiástico. Friburgo: Herder & Cia, 1922, p. 202-204)

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Santo Afonso Maria de Ligorio

O que em vida costumava ceder-lhes e deixar-se vencer, como lhes resistirá na morte? Seria mister uma graça divina mais poderosa, e será porventura Deus obrigado a concedê-la? Ou tê-la-á merecido o homem pela vida desregrada que levou?

Ó Deus de minha alma, ó bondade infinita, tende piedade de mim, que tanto Vos tenho ofendido. Sabia que, pecando, perdia a vossa graça e quis perdê-la. Dizei-me: que tenho eu a fazer para a recuperar? Se quereis que me arrependa dos meus pecados, eu me arrependo de todo o coração e quisera morrer de dor. Se quereis que espere o perdão de vossa misericórdia, eu o espero pelos merecimentos de vosso Sangue. Se quereis que Vos ame sobre todas as coisas, tudo deixo, renuncio a todas as doçuras e vantagens que me pode oferecer o mundo e amo-Vos mais que a todos os bens, ó meu Salvador amabilíssimo. Se quereis, enfim, que Vos peça graças, eu Vos peço duas: não permitais que ainda torne a ofender-Vos, fazei que Vos ame e depois disponde de mim segundo a vossa vontade. — Maria, minha esperança, alcançai-me estas duas graças; é de vós que as espero. (*II 16.)

Referências:

(1) Is. 38, 12.
(2) Jó. 17, 6.
(3) Jó. 3, 19.
(4) 1 Cor. 7, 29.

(LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo III: Desde a Décima Segunda Semana depois de Pentecostes até o fim do ano eclesiástico. Friburgo: Herder & Cia, 1922, p. 196-199)

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Santo Afonso Maria de Ligorio

O PECADOR DESONRA A DEUS

Per praevaricationem legis Deum inhonoras — “Pela transgressão da lei desonras a Deus” (Rom. 2, 23).

Sumário. O pecador desonra a Deus, porque, por um vil interesse, por uma indigna satisfação, renuncia à amizade divina. Se ao menos não O desonrasse na sua presença. Mas não, desonra-O ante seus próprios olhos, pois que Deus está em todos os lugares; e, mais ainda, para desonrá-Lo serve-se do mesmo corpo que Deus lhe deu para o glorificar. Que negra ingratidão! Quão amargurado não deve sentir-se o Coração amabilíssimo de Jesus!

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Santo Afonso Maria de Ligorio

Amo-Vos, † Jesus, meu Deus, amo-Vos sobre todas as coisas; mas amo-Vos muito pouco. Quero amar-Vos muito; e este amor eu Vô-lo peço e de Vós espero. Atendei-me, meu Jesus; prometestes atender a quem Vos roga. — Ó Mãe de Deus, Maria, todos me dizem que não deixais sem consolo o que a vós se recomenda. Ó vós, que depois de Jesus sois minha esperança, a vós recorro e em vós confio; recomendai-me a vosso Filho e salvai-me. (*II 72.)

Referências:
(1) Is. 28, 21.
(2) Sl. 59, 3-6.
(3) Is. 30, 18.
(4) Miss. Rom.
(5) Rm. 8, 32.
(6) Lc. 1, 78.
(7) Is. 30, 19.

(LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo III: Desde a Décima Segunda Semana depois de Pentecostes até o fim do ano eclesiástico. Friburgo: Herder & Cia, 1922, p. 176-178)

XXVIII DE OUTUBRO
Festa dos Apóstolos São Simão e São Tadeu

Annuntiaverunt opera Dei, et facta eius intellexerunt
— “Anunciaram as obras de Deus, e entenderam os seus feitos” (Sl. 63, 10).

Sumário.
Posto que o Evangelho e a Tradição nos digam pouco acerca das virtudes de São Tadeu e nada acerca das de São Simão, temos todavia uma garantia da sua santidade, por terem eles sido dignos de se tornarem apóstolos e mártires de Jesus Cristo. De quantas graças não deviam ser enriquecidos, quantas virtudes não praticaram para conseguirem esta dúplice glória! Se, à imitação destes santos apóstolos, cooperarmos bem com a graça que Deus nos dá, poderemos ser também homens apostólicos e mártires de paciência. Porque então não fazê-lo?

I. Posto que o Evangelho e a Tradição pouco nos digam das virtudes de São Tadeu, e quase nada das de São Simão, podemos todavia medir-lhes a grandeza pela sua sublime dignidade de apóstolos de Jesus Cristo. Como apóstolos, ambos tiveram que abandonar para sempre os seus bens, a sua casa, os amigos e os parentes; tiveram que renunciar ao próprio juízo, a própria vontade, aos próprios sentimentos.

E tudo isto para seguirem Jesus Cristo, talvez menos conhecido pelos seus milagres do que pelo ódio que lhe tinham os grandes de Israel; para seguirem Jesus Cristo, que, como recompensa de tantos sacrifícios, lhes prometia, é verdade, os futuros bens celestiais, mas para a vida presente não lhes prometia senão misérias, perseguições e sofrimentos até a morte. — Ora, como teriam os apóstolos sido capazes de executar coisas tão difíceis, se não possuíssem uma virtude sólida, e especialmente uma fé viva, uma firme esperança e um amor ardentíssimo para com o divino Redentor?

Qual tenha sido o ardor do seu amor ao próximo, se pode deduzir do zelo com que trabalharam pela salvação dos homens, por meio da pregação do Evangelho. Depois de Pentecostes, São Simão foi evangelizar o Egito e com tamanho fruto que se mostrou digno do título de Zelote, com que o distingue a Santa Escritura. — São Tadeu, chamado também Irmão do Senhor, segundo a carne, percorreu para o mesmo fim a Síria e a Mesopotâmia. E, não contente de trabalhar tão felizmente para a conversão dos gentios, quis estender o seu amor a todos os fiéis, e, por inspiração divina, escreveu a sua Epístola católica, na qual os anima a estarem firmes na fé e a usarem da oração, para se manterem no amor de Deus. In Spiritu Sancto orantes, vosmetipsos in dilectione Dei Servate (1) — “Orando pelo Espírito Santo, conservai-vos no amor de Deus”. — Regozija-te com os santos apóstolos, agradece a Deus em seu nome, e procura ser também homem apostólico, pela imitação das suas virtudes.

II. Não há amor maior nem mais heroico que o que dá a vida pelo amigo: “Maiorem hac dilectionem nemo habet, ut animam suam ponat quis pro amicis suis.” (2) Foi a este grau heroico que chegou a virtude de São Simão e de São Tadeu, pois que ambos coroaram os seus trabalhos com um generoso martírio. — Depois de terem trabalhado separadamente na pregação do Evangelho, reuniram-se na Pérsia, a fim de pregarem juntos e com mais eficácia naquelas vastíssimas regiões. E tão bem foram sucedidos, que os sacerdotes dos ídolos, encolerizando-se, excitaram a população a matar os nossos Santos.

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Santo Afonso Maria de Ligorio

AS VIRTUDES DO BOM LADRÃO E A SEGUNDA PALAVRA DE JESUS NA CRUZ

Amen dico tibi: Hodie mecum eris in paradiso — “Em verdade te digo: Hoje estarás comigo no paraíso” (Luc. 23, 43).

Sumário. Observam os santos Padres que o Bom Ladrão, reconhecendo em Jesus crucificado o seu verdadeiro Deus, confessando-O como tal na presença de seus inimigos e recomendando-se-Lhe, deu exemplos das mais sublimes virtudes. Pelo que o Senhor lhe fez com razão a bela promessa de que naquele mesmo dia havia de gozar das delícias do paraíso. Meu irmão, o Senhor não se mudou, e, portanto, se porventura tivéssemos imitado o ladrão em seus desvarios, imitemo-lo também na sua conversão sincera a Deus e também teremos a mesma sorte feliz.

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Santo Afonso Maria de Ligorio

JESUS CHORA

Et lacrymatus est Iesus — “E Jesus chorou” (Io. 11, 35.)

Sumário. O Menino Jesus chorava por duas razões. Em primeiro lugar chorava de compaixão para com os homens, que eram réus de morte eterna, e oferecia as suas lágrimas ao Eterno Pai, a fim de obter para eles o perdão. Chorava em segundo lugar de dor, vendo que, mesmo depois da Redenção tão grande número de pecadores continuariam a desprezar sua graça. Ah! Não agravemos mais as penas desse amabilíssimo Coração e consolemo-Lo, misturando as nossas lágrimas com as suas.

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Santo Afonso Maria de Ligorio

É esta exatamente a graça que Vos peço e que, com vosso auxílio, espero pedir-Vos sempre: não permitais que torne a expulsar-Vos de meu coração.

Fazei que eu me esqueça de todas as coisas, a fim de só pensar em Vós, que sempre pensastes em mim e na minha salvação. Fazei que Vos ame sempre nesta vida, a fim de que a minha alma, expirando unida conVosco e em vossos braços, possa repousar eternamente em Vós sem receio de jamais Vos perder. — Ó Maria, assisti-me na minha vida, assisti-me na hora da minha morte, para que Jesus sempre repouse em mim, e eu repouse sempre em Jesus. (II 370.)

Referência:
(1) Ct. 2, 7.

(LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo I: Desde o Primeiro Domingo do Advento até a Semana Santa inclusive. Friburgo: Herder & Cia, 1921, p. 119-122)

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Santo Afonso Maria de Ligorio

JESUS É ALIMENTADO

Quis mihi det te fratrem meum, sugentem ubera matris meae?— “Quem te dará a mim por irmão, que tomara o leite da minha mãe?” (Cant. 8, 1.)

Sumário. Quando o Menino Jesus foi envolto em paninhos, suspirou pelo alimento da Virgem Maria, e tomando-o já pensava em como havia de mudá-lo naquele sangue com que deveria um dia resgatar as almas sobre a cruz e alimentar nelas a vida da graça pela Comunhão. Roguemos à divina Mãe que nos alimente com o leite de uma devoção terna e amorosa à Infância de Jesus.

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Santo Afonso Maria de Ligorio

➡️ Católico Tradicional

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Santo Afonso Maria de Ligorio

*Graças Vos dou, Pai Eterno, por me haverdes dado vosso Filho, me dou todo a Vós. Por amor desse mesmo Filho, aceita-me e prendei-me com laços de amor ao meu Redentor; mas prendei-me de tal maneira que eu também possa dizer: _Quis me separabit a caritate Christi? — Quem me separará do amor de Cristo?_ Que bem terrestre será ainda capaz de separar-me do meu Jesus? E Vós, meu Salvador, se sois todo meu, sabei que eu também sou todo vosso. Disponde de mim, e de tudo o que é meu, como quiserdes. Será possível que eu recuse alguma coisa a um Deus que não me recusou seu sangue e sua vida?*

*Maria, minha Mãe, guardai-me debaixo da vossa proteção. Não quero mais ser meu, quero ser todo do meu Senhor. Cuidai em fazer-me fiel; em vós confio.*

> Santo Afonso Maria de Ligório, Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo I, pp. 55-58.

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Santo Afonso Maria de Ligorio

TERCEIRO DOMINGO DO ADVENTO: O TESTEMUNHO DE SÃO JOÃO BATISTA E A MODÉSTIA CRISTÃ

Ego vox clamantis in deserto: Dirigite viam Domini, sicut dixit Isaias propheta — “Eu sou a voz do que clama no deserto: preparai o caminho do Senhor, assim como o disse o profeta Isaías” (Io. 1, 23).

Sumário. À imitação de São João Batista, procuremos sempre, ao falar de nós mesmos ou sobre as coisas que nos dizem respeito, abaixar-nos e nunca nos exaltarmos acima dos outros. Quem se abaixa, nunca sairá prejudicado; mas, por pouco que alguém se exalte acima do que é, pode causar-se grave dano. Além disso, é sabido de todos que os louvores em boca própria não trazem honra, senão desprezo.

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Santo Afonso Maria de Ligorio

RETRATO DE UM HOMEM QUE ACABA DE PASSAR À OUTRA VIDA

Auferes spiritum eorum, et deficient, et in pulverem suum revertentur — “Tirar-lhes-ás o espírito, e deixarão de ser, e tornar-se-ão no seu pó” (Ps. 103, 29).

Sumário. Imaginemos que estamos vendo uma pessoa que acaba de expirar. Contemplemos nesse cadáver a cabeça pendida sobre o peito, o cabelo desgrenhado, os olhos encovados, as faces descarnadas, o rosto cinzento, a língua e os lábios cor de ferro, o corpo frio e pesado. Quantas pessoas, à vista de um parente ou de um amigo morto, não mudaram de vida e deixaram o mundo!

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Santo Afonso Maria de Ligorio

➡️ Católico Tradicional

Antes da vinda do Messias, o mundo estava abismado na ignorância, e o Deus verdadeiro era apenas conhecido num cantinho da terra, na Judéia. De todas aquelas trevas livrou-nos Jesus Cristo, que desde o primeiro instante da sua conceição deu mais glória ao Pai Eterno do que lhe têm dado e darão todos os Anjos e Santos. Tomemos ânimo nós, os pobres pecadores, e ofereçamos a Deus Pai este Menino e ressarci-Lo-emos de todas as ofensas que Lhe temos feito.

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Santo Afonso Maria de Ligorio

PRIMEIRO DOMINGO DO ADVENTO: A TEMERIDADE DO PECADOR E O DIA DO JUÍZO

Videbunt Filium hominis venientem in nube cum potestate magna et maiestate — “Verão o Filho do homem que virá sobre uma nuvem com grande poder e majestade” (Luc. 21, 27).

Sumário. Uma consideração séria nos ensina que não há atualmente no mundo pessoa mais desprezada de que Jesus Cristo; pois é injuriado tão continuamente e com tão desenfreada liberdade, como não o seria o mais vil dos homens. Eis porque o Senhor destinou um dia, no qual virá, com grande poder e majestade, a reivindicar a sua honra. Recorramos agora ao trono da divina misericórdia, para que naquele dia não sejamos condenados pela justiça de Deus.

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Santo Afonso Maria de Ligorio

XXII DOMINGO DEPOIS DE PENTECOSTES: O TRIBUTO DE CÉSAR E A OBRIGAÇÃO DE AMAR A DEUS

Reddite quae sunt Caesaris Caesari, et quae sunt Dei Deo — “Daí a César o que é de César e a Deus o que é de Deus” (Matth. 22, 21).

Sumário. Para convencer os fariseus da obrigação de pagarem tributo a César, o divino Redentor mostrou-lhes a imagem estampada na moeda com que costumavam pagar o tributo. Lancemos nós também um olhar sobre nós mesmos: consideremos que fomos criados por Deus à sua imagem e semelhança; lembremo-nos mais que no santo batismo nos foi impresso o caráter indelével de discípulos de Jesus Cristo e facilmente chegaremos a esta bela conclusão: Dai a Deus o que é de Deus.

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Santo Afonso Maria de Ligorio

Meditações de Santo Afonso de Ligório:
Vigésima Segunda Semana depois de Pentecostes
Sexta-feira

Quinta palavra de Jesus Cristo na Cruz

Sciens Jesus quia omnia consummata sunt, ut consummaretur Scriptura, dixit: Sitio
— “Sabendo Jesus que tudo estava cumprido, para se cumprir ainda a escritura, disse: Tenho sede”. (Jo. 19, 28).

Sumário.
É dupla a sede que sofre Jesus moribundo: a sede corporal, causada pelo cansaço das caminhadas, pela tristeza interior e pelo muito sangue derramado. Outra sede espiritual ,isso é, o desejo da salvação eterna de todos os homens, que O faz anelar maiores tormentos, se for preciso. Ah! Se nos lembrássemos sempre desta dúplice sede do Senhor, não procuraríamos delicadezas supérfluas e esforçar-nos-íamos por reconduzir as almas a Deus. Longe de nos queixarmos das tribulações, desejá-las-íamos maiores por amor de Jesus Cristo.

I. Quando Jesus estava próximo à morte, disse: Tenho sede Sitio, a fim de nos manifestar a grande sede corporal que experimentava, quer pelo cansaço causado pelas muitas caminhadas, quer pela tristeza interior, mas principalmente pelo muito sangue derramado no horto, na flagelação, na coroação de espinhos e finalmente sobre a cruz, onde corria abundantemente das chagas das mãos e dos pés, como de quatro fontes. — Jesus Cristo quis padecer este tormento pungentíssimo para que compreendamos quão caro lhe custaram a nossa gulodice e intemperança, causadoras de tantas queixas e murmurações nas famílias e nas comunidades sob pretexto de saúde e de necessidade.

Mais do que pela sede corporal foi Nosso Senhor aflito atormentado por uma sede espiritual, nascida, como escreve São Lourenço Justiniani, da fonte do amor: Sitis haec de amoris fonte nascitur. Com efeito, porque é que Jesus, que não faz menção das outras penas imensas padecidas sobre a cruz, se queixa unicamente da sede? Ah, exclama Santo Agostinho, a sede de Jesus Cristo é o desejo de nossa salvação. Jesus, assim acrescenta São Gregório, ama as nossas almas com excesso de amor e por isso almeja que tenhamos sede dele: Sitit sitiri Deus.

São Basílio dá mais outra explicação e diz que Jesus Cristo manifesta a sua sede para nos dar a entender que pelo amor que nos tem, morria com o desejo de padecer por nós, mais ainda do que tinha padecido: O desiderium Passione maius! Meu irmão, lembremo-nos muitas vezes da dúplice sede de Jesus Cristo. Então não procuraremos mais as delicadezas supérfluas e nos esforçaremos por reconduzir as almas ao seio paternal de Deus; em vez de nos lamentarmos das cruzes que Ele nos envia, aceitá-las-emos com resignação e com desejo de carregarmos por seu amor outras cruzes mais pesadas.

II. Qual foi o alívio que os judeus deram à sede ardente do Redentor? Somente aquele que Davi predissera tanto tempo antes: Dederunt in escam meam fel, et in siti mea potaverunt me aceto (1) — “Deram-me na minha comida fel e na minha sede me propinaram vinagre”. Ó barbaridade inaudita! Exclama São Lourenço Justiniani, ó crueldade sem limites Para apagar a sede a um pobre moribundo, dá-se vinagre misturado com fel! E o povo que trata assim Nosso Senhor é o mesmo que por Ele foi tantas vezes beneficiado com água milagrosa!

Mas de igual maneira e com a mesma ingratidão apagam a dúplice sede de Jesus Cristo os cristãos que pecam por intemperança e que, em vez de reconduzirem as almas ao regaço paterno de Deus, as afastam d’Ele pelos seus maus exemplos. Se no passado nós também temos sido do número de tais ingratos, peçamos perdão ao Senhor e roguemos-Lhe nos dê a graça de O amarmos mais fervorosamente para o futuro.

Ah, meu Senhor, Vós tendes sede de mim, verme desprezível, e eu não terei sede de Vós, meu Deus infinito? — Suplico-Vos pela sede que padecestes sobre a cruz, dai-me uma grande sede de Vos amar e de Vos agradar em tudo! Prometestes dar-nos tudo quanto Vos pedirmos: Petite et accipietis (2). Eis o único favor que Vos peço: o dom de vosso amor.

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Santo Afonso Maria de Ligorio

Meditações de Santo Afonso de Ligório:
Vigésima Segunda Semana depois de Pentecostes
Quarta-feira

O grande segredo da morte

O mors, bonum est iudicium tuum homini indigenti
— “Ó morte, é bom o teu juízo para o homem necessitado” (Eclo. 41, 3).

Sumário.
Durante a vida, as paixões fazem que os bens terrestres pareçam de modo muito diferente do que são; a morte, porém, mostra-os na sua verdade: fumaça, lodo e miséria. Meu Deus! Para que servirão as riquezas, quando não nos restar senão uma simples mortalha? Para que servirão honras e dignidades, quando não tivermos nada senão um cortejo fúnebre? Para que servirá a beleza do corpo, quando nada mais nos ficar senão vermes e podridão? Que grande segredo é o da morte! Como seria bem regrada a nossa vida se o soubéssemos aproveitar bem!

I. Oh, quantas pessoas podem repetir a palavra do rei Ezequias: Praecisa est velut a texente vita mea (1) — “A minha vida foi cortada como por um tecelão”. Apenas estão urdindo a tela, isto é, planejando e executando os seus projetos terrestres, combinados com tanta prudência, senão quando vem a morte e põe fim a tudo! Então, ao clarão do último facho, todas as coisas do mundo desaparecem: aplausos, regozijos, pompas e grandezas. — Grande segredo o da morte! Ela nos faz ver o que não vêem os amantes do mundo. As fortunas mais cobiçadas, os postos mais eminentes, os triunfos mais magníficos, perdem todo o brilho, quando considerados no leito da morte. Convertem-se então em indignação contra a nossa própria loucura as idéias que tínhamos formado acerca de certas felicidades ilusórias. A sombra negra e sinistra da morte encobre e obscurece todas as dignidades, sem excetuar as dos reis.

Durante a vida, as paixões fazem que os bens terrestes pareçam muito diferentes do que são; a morte tira-lhes a máscara e mostra o que são na verdade: fumaça, lodo, vaidade e miséria. — Meu Deus, para que servirão na hora da morte riquezas, título, reinos, quando nada nos restar senão um esquife de madeira e uma simples mortalha para nos cobrir o corpo? Para que servirão as dignidades e as honras, quando nada mais tivermos senão um cortejo fúnebre e pomposas exéquias, que de nada valerão à alma, se esta estiver perdida? Para que servirá a beleza do corpo, quando, ainda antes de morrer, se tornar em vermes, podridão e pouco depois em um punhado de pó infecto?

Posuit me quasi in proverbium vulgi, et exemplum sum coram eis
(2) — “Ele me reduziu a ser como um provérbio do povo, e estou feito diante deles um exemplo”. — Morre tal ricaço, tal ministro, tal general e sua morte será apregoada por toda a parte; mas se viveu mal, tornar-se-á alvo dos ataques do povo; e como prova da vaidade do mundo e também da divina justiça, servirá para exemplo dos outros. – Na cova estará confundido entre os cadáveres dos pobres: Parvus et magnus ibi sunt (3) — “O pequeno e o grande ali estão”. Que lhe valeu a bela estatura do corpo, agora que não é senão um montão de vermes? Que lhe valeu a autoridade que possuía, agora que seu corpo está condenado a apodrecer numa vala e sua alma a arder no inferno?

II. Se quisermos dirigir bem as nossas ações e avaliar bem as coisas deste mundo, avaliemo-las como no leito de morte. Tempus breve est (4). O tempo é breve, diz o Apóstolo; tudo passa e acaba depressa. Por isso, imaginando cada dia que estamos próximos da morte, apressemo-nos a fazer o que então quiséramos ter feito. Quem sabe se a morte não nos virá surpreender de improviso? — Oh, que miséria! Vivermos apegados aos bens transitórios e descuidarmo-nos dos eternos! Que insensatez! Servirmos aos outros de assunto para reflexões úteis e não as termos feito para nosso próprio proveito!

Persuadamo-nos de que, para remediar as desordens da consciência, não é próprio o tempo da morte, mas sim o da vida. A razão nô-lo persuade; porquanto um homem mundano achar-se-á então fraco de espírito, escurecido e endurecido de coração, pelos maus hábitos adquiridos e as tentações serão mais veementes.

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Santo Afonso Maria de Ligorio

— Diz a tradição que São Tadeu foi degolado e São Simão serrado pelo meio, pelo que um machado e uma serra são os símbolos de seu martírio.

Regozija-te novamente com os santos Apóstolos, e escolhe-os novamente para teus protetores especiais junto de Deus, já que não tens a dita de os poderes imitar dando a vida, por Jesus Cristo, esforça-te ao menos por imitá-los na paciência, suportando com resignação o mal que te sobrevier. Diz São Francisco de Sales que o serviço de Deus consiste mais no padecer do que no obrar. — Oferece também a Jesus Cristo o sacrifício da tua vida, pronto para morrer quando, onde e como ele quer; e desde hoje aceita a morte com todas as penas que a possam acompanhar, a fim de satisfazeres à justiça divina e dares à divina bondade uma prova de amor que lhe tens.

Por esta intenção implora a intercessão dos santos Apóstolos, e lembra-te que a aceitação da morte, para cumprirmos a vontade divina, nos faz merecer uma recompensa igual a dos mártires, que são mártires exatamente por terem abraçado a morte para agradarem a Jesus Cristo.

“Ó Deus, que por meio dos vossos apóstolos São Simão e São Tadeu me fizestes vir ao conhecimento do vosso Nome, concedei-me que, celebrando a sua glória eterna, cresça mais e mais na piedade.” (3) Fazei-o pelo amor de Jesus e Maria.

Referências:
(1) Jd. 1, 20.
(2) Jo. 15, 13.
(3) Or. festi.

(LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo III: Desde a Décima Segunda Semana depois de Pentecostes até o fim do ano eclesiástico. Friburgo: Herder & Cia, 1922, p. 380-382)

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Santo Afonso Maria de Ligorio

Meditações de Santo Afonso de Ligório:
Vigésima Primeira Semana depois de Pentecostes
Terça-feira

Da Misericórdia de Deus

Misericordia domini plena est terra
— “Da misericórdia do Senhor é cheia a terra” (Sl. 32, 5).

Sumário.
A bondade é por sua natureza inclinada a comunicar seus bens a outros. Por isso é que Deus, a bondade essencial, tem um extremo desejo de comunicar a sua felicidade, e a sua natureza não o inclina a punir, mas a usar de misericórdia. Esta o fez descer do céu à terra, levar uma vida penosa e, afinal, morrer por nós sobre uma cruz. Não pensemos, pois, que Jesus Cristo nos faça esperar o perdão muito tempo, depois do pecado; contanto que estejamos resolvidos a não o tornarmos a ofender.

I. A bondade é essencialmente comunicativa, isto é, tende a comunicar seus bens também a outros. Ora, Deus, que de natureza é a bondade infinita, tem um desejo extremo de nos comunicar a sua felicidade. Por isso, não deseja castigar, mas usar de misericórdia para com todos. O castigar, diz Isaías, é uma obra alheia da natureza de Deus, e se manda algum castigo, fá-lo, por assim dizer, contra sua vontade, e como que coagido pela impiedade: Irascetur, ut faciat opus suum, alienum opus eius, ut operetur opus suum; peregrinum est opus eius ab eo (1).

E Davi dizia: “Ó Deus, desamparaste-nos, e destruíste-nos: tu te iraste, e tiveste piedade de nós. Mostraste ao teu povo coisas duras; deste-nos a beber o vinho de compunção. Deste aos que te temem um sinal, para que fugissem da face do arco.” (2) Como se dissesse: O Senhor se mostrou irado, para que venhamos à resipiscência e detestemos os pecados. Se nos manda algum castigo, é porque nos ama, e, usando de misericórdia na vida presente, nos quer livrar do castigo eterno. — Numa palavra, o Senhor constitui a sua glória em usar de misericórdia e em perdoar aos pecadores: Exaltabitur parcens vobis (3), pois, como diz a Santa Igreja, desta maneira Deus se compraz em manifestar a sua onipotência: Omnipotentiam tuam parcendo maxime et miserando manifestas (4).

Foi esta grande misericórdia que o levou a enviar à terra seu próprio Filho, para se fazer homem, levar trinta e três anos uma vida penosa e finalmente morrer sobre uma cruz, afim de nos livrar da morte eterna: Proprio Filio suo non pepercit, sed pro nobis omnibus tradidit illum (5) — “Não poupou a seu Filho, mas entregou-O por todos nós”. — Pela mesma razão cantou São Zacharias: “Pelas entranhas de misericórdia do nosso Deus, com que nos visitou o Sol nascente do alto.” (6) Por estas palavras, entranhas de misericórdia, entende-se uma misericórdia que procede do íntimo do coração de Deus, porquanto preferiu ver morto seu Filho feito homem a ver-nos perdidos.

II. Não penses, meu irmão, que Deus te fará esperar muito tempo pelo perdão. Apenas desejes o perdão, já Ele estará pronto a dar-to. Não é preciso chorar muito; logo à primeira lágrima derramada pela dor de teus pecados, Deus terá misericórdia de ti: Ad vocem clamores tui, statim ut audierit, respondebit tibi (7) — “Logo que ouvir a voz de teu clamor, te responderá”. O Senhor não age para conosco como nós agimos para com Ele: Deus nos convida e nós nos fazemos de surdos. Não assim Deus: statim ut audierit — logo que nos ouvir dizer: Perdão, meu Deus — responder-nos-á e concederá o perdão.

Meu amado Redentor, prostrado aos vossos pés, agradeço-Vos não me haverdes abandonado depois de tantos pecados. Quantos dos que Vos ofenderam menos que eu não terão as luzes com que agora me iluminais! Vejo que me quereis salvo e eu quero salvar-me principalmente para Vos agradar. Quero ir ao céu para cantar eternamente as misericórdias que tendes tido comigo. Tenho confiança que já me perdoastes; mas, se por ventura ainda estivesse em vossa desgraça, por não ter sabido arrepender-me devidamente das ofensas que Vos fiz, agora me arrependo de toda a minha alma e detesto-as sobre todos os outros males. † Meus Jesus, misericórdia!

Perdoai-me, por piedade, e aumentai cada vez mais em mim a dor de Vos ter ofendido, meu Deus, que sois tão bom. Dai-me dor, dai-me amor.

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Santo Afonso Maria de Ligorio

ENTRADA DA ALMA NO CÉU

Laetatus sum in his, quae dicta sunt mihi: in domum Domini ibimus – “Eu me alegrei no que me foi dito: iremos à casa do Senhor (Ps 121,1)

Sumário. Imaginemos ver uma alma que faz a sua primeira entrada no céu. Ó Deus! Qual será a sua consolação ao entrar pela primeira vez nessa pátria bem aventurada, ao ver os parentes e amigos, os Anjos e os Santos; ao beijar os pés de Maria Santíssima, ao receber os amplexos de Jesus Cristo; ao ser abençoada pelo Pai celestial. Pois bem, é um ponto de nossa fé que gozaremos igual consolação, contanto que vivamos bem, ao menos durante o tempo que ainda nos resta. Ó dulcíssima esperança, tu nos deves confortar no meio das nossas mais duras tribulações.

Leia essa Meditação completa de Sto Afonso aqui: https://catolicosribeiraopreto.com/entrada-da-alma-no-ceu/

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